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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tay-Sachs

“Genética e fatal, é causada por uma desordem na estocagem de lipídios, os gangliosídeos GM2, que acumulam-se nos nervos e cérebro em função da atividade insuficiente da enzima beta-hexosaminidase, responsável pela aceleração do processo que molda plasticamente o tecido nervoso”, explica o professor Hélio Rocha do Departamento de Pediatria do Instituto de Peuricultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ). 
Tay-Sachs é muito grave na infância, afetando crianças de ambos os sexos entre seis meses e cinco anos de idade. As variantes desta doença são causadas pela ausência ou por defeitos das Hexoaminas A (componentes principais da parede celular).
A pseudo-variante AB ou variante B (beta) é do tipo clássica infantil aguda com deficiência da Hexaminase A. A  juvenil subaguda é também chamada de tipo III. Como a evolução desta é mais lenta, o óbito ocorre entre 10 e 15 anos. A conhecida como infantil tardia é a variante B1. Existe, ainda o tipo adulto crônico que é uma Gangliosidose GM2 caracterizada por uma mutação parcial do gen responsável pela Hexaminase A.
Segundo o professor Hélio ressaltou que nos primeiros meses de vida as crianças com Tay-Sachs são clinicamente normais. “O acúmulo progressivo de esfingolipídios altera a arquitetura das células neurais, levando à deterioração mental e trazendo alterações motoras com efeitos regressivos sobre o desenvolvimento já adquirido. Ocorre perda da visão, audição e da deglutição. A conseqüência do desuso da musculatura é a paralisia hipotônica”.
A doença é caracterizada por vários outros sintomas. Os neurológicos são demência, convulsões, e aumento do reflexo acústico, que ocorre em resposta a um ruído intenso.  Em recém nascidos este pode ser primeira manifestação da doença. Outro importante sinal é a presença de lesões em cor framboesa nas retinas. A macrocefalia também é outro sinal, geralmente evidente por volta dos 18 meses. A demência, cegueira, surdez, convulsões de difícil controle e dificuldade de deglutir são progressivas e antecedem a morte. Esta geralmente ocorre por broncopneumonia aspirativa, em torno dos quatro anos de idade.
Os portadores da doença, nas formas infantis e juvenis, não chegam a ter condições para procriar. Os genes que manifestam Tay-Sachs devem ser procurados através de dosagens das enzimas no sangue, soro e sangue dessecado em papel de filtro. Também é desejável a avaliação através da pesquisa de DNA para se avaliar os tipos de mutações encontradas nos indivíduos suspeitos de serem portadores. “Estes deverão ser orientados através de aconselhamento genético, que aqui no Rio de Janeiro poderá ser encontrado no IPPMG (UFRJ), no Hospital Pedro Ernesto (UERJ), no Instituto Fernandes Figueira (MS) e nos Hospital Geral de Bonsucesso”, detalhou Doutor Hélio Rocha.
Quanto à possibilidade de reposição enzimática, existem hoje muitas pesquisas em andamento, mas ainda não existe tratamento curativo, apenas o sintomático. “O apoio emocional aos pais é fundamental, pois não somente a doença que irrompe sobre um filho aparentemente sadio é destruidora, mas a perspectiva de outros filhos com o problema pode vir a ser arrebatadora sobre a vida do casal”, afirmou o especialista.
Nos ambulatórios de genética, neurologia e nutrologia do IPPMG, os pacientes têm acesso ao diagnóstico, ao aconselhamento genético e ao tratamento sintomático. É possível e recomendada a avaliação pré-natal nos casos de risco familiar, ou seja, quando os genes estão presentes nos pais.
Nas populações de não risco, a incidência é de 1/360.000 nascimentos. Os judeus da linhagem Ashkenasi são tradicionalmente mais afetados, na concentração de um para 2500 pessoas. No entanto, diversos grupos populacionais apresentam elevadas percentagens de incidência. Os EUA, Canadá, Argentina e Israel são os paises com grandes concentrações de portadores dos genes.
No Brasil vive a oitava maior população judia do mundo. “Nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, um em cada 51 estudantes do segundo grau em escolas judias mostraram ser portadores de genes afetados. Apesar disso, não existem estatísticas nacionais, nem programas de prevenção pré-natal em populações de risco”, conclui o médico.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Síndrome de Hallervorden-Spatz


A síndrome de Hallervorden-Spatz, ou neurodegeneração com acumulação de ferro no cérebro, comporta um grupo de doenças neurodegenerativas extra-piramidais transmitidas de forma autossómica recessiva, cuja prevalência foi estimada em 1-3/1.000.000 habitantes.
Este grupo de doenças apresenta em comum disfunção extra-piramidal progressiva e acumulação de ferro no cérebro, sobretudo, nos gânglios da base (também denominados núcleos da base ou extra-piramidais), especificamente no Globus Pallidus e na substância negra.
A forma clássica apresenta-se clinicamente na primeira década de vida, havendo um desenvolvimento de sintomas rapidamente progressivo, enquanto a forma atípica se apresenta na segunda ou terceira década de vida, sendo, neste caso, o desencadear de sintomas lentamente progressivo.
As manifestações extra-piramidais incluem: 1) distonia (contracções involuntárias que provocam movimentos espasmódicos e posturas anormais), 2) rigidez, 3) movimentos coreo-atetósicos (movimentos involuntários, lentos e ondulantes – atetose - que alternam com movimentos breves que passam de uma parte do corpo para outra, imitando uma dança - coreia).
Podem ocorrer, ainda, as seguintes alterações: degeneração da retina, atrofia óptica, alteração na forma dos eritrócitos (acantocitose). A perda da capacidade de deambulação ocorre, normalmente, 10-15 anos após o diagnóstico, na forma clássica e, 15-40 anos após o diagnóstico, na forma atípica.
O diagnóstico é realizado por ressonância magnética sendo que, em cerca de metade destes doentes, é possível a identificação do gene mutado, denominado de PANK2. O tratamento, após o aparecimento dos sintomas, é paliativo. 
* Autores: Allison M. Gregory, M.S. e Susan J. Hayflick, M.D. (Setembro 2004). * Fonte: Tradução Adaptada de ORPHANET
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domingo, 30 de outubro de 2011

Bocha Adaptada

A bocha estreou no programa paraolímpico oficial em 1984, na cidade de Nova Iorque, com disputas individuais no feminino e masculino. Em Atlanta (1996), foi incluído o jogo de duplas. A primeira medalha paraolímpica brasileira veio no Lawn Bowls, um tipo de bocha na grama. Róbson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos "Curtinho" ganharam prata em 1972, nos Jogos de Heidelberg, Alemanha.
Competem na bocha paraolímpica paralisados cerebrais severos que utilizem cadeira de rodas. O objetivo do jogo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca. É permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores. Há três maneiras de se praticar o esporte: individual, duplas ou equipes.
Antes de começar a partida, o árbitro tira na moeda (cara ou coroa) o direito de escolher se quer competir com as bolas de couro vermelhas ou azuis. O lado que escolhe as vermelhas inicia a disputa, jogando primeiro a bola branca e uma bola vermelha. Depois, é a vez da bola azul entrar em ação. A partir de então, os adversários se revezam a cada lance para ver quem consegue posicionar as bolas o mais perto possível da bola branca. As partidas ocorrem em quadras cobertas, planas e com demarcações no piso. A área do jogo mede 6m de largura por 12,5m de comprimento.
Para ganhar um ponto, o atleta tem de jogar a bola o mais próximo da bola branca. Caso este mesmo jogador tenha colocado outras esferas mais próximas do alvo, cada uma delas também vale um ponto. Se duas bolas de cores diferentes ficam à mesma distância da esfera branca, os dois lados recebem um ponto. Vence quem acumula a maior pontuação.
As partidas são divididas em ends, que só terminam após todas as bolas serem lançadas. Um limite de tempo é estabelecido por end, de acordo com o tipo de disputa. A contagem começa quando o árbitro indica quem fará o lance até quando a bola para. Nas competições individuais, são quatro ends e os atletas jogam seis esferas em cada um deles. Nas duplas, os confrontos têm quatro partes e cada atleta tem direito a três bolas por período. Quando a disputa é por trios, seis ends compõem as partidas. Neste caso, todos os jogadores têm direito a duas esferas por parte do jogo.
No Brasil, a bocha é administrada pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes.

Classificação
Os jogadores podem ser classificados em quatro classes:
  • BC1: Tanto para arremessadores CP1 como para jogadores CP2. Atletas podem competir com o auxílio de ajudantes, que devem permanecer fora da área de jogo do atleta. O assistente pode apenas estabilizar ou ajustar a cadeira do jogador e entregar a bola a pedido.
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
      • BC2: Para todos os arremessadores CP2. Os jogadores não podem receber assistência.
       
        • BC3: Para jogadores com deficiências muito severas. Os jogadores usam um dispositivo auxiliar e podem ser ajudados por uma pessoa, que deve permanecer na área de jogo do atleta mas deve se manter de costas para os juízes e evitar olhar para o jogo.
         
          • BC4: Para jogadores com outras deficiências severas, mas que não podem receber auxílio.
           
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            Hidroterapia na Distrofia Muscular de Duchenne


             Introdução

            A Distrofia Muscular tipo Duchenne (DMD) é a forma mais comum de distrofia muscular com ocorrência na infância, afetando meninos com incidência de 1 para cada 3500 nascimentos vivos. Esta doença pertence ao grupo das miopatias geneticamente determinadas, sendo caracterizada por fraqueza, degeneração e atrofia em grupos de músculos esqueléticos específicos, de caráter progressivo e irreversível, cujas alterações patológicas são secundárias à deficiência da proteína do sarcolema chamada “distrofina" e independem do comprometimento orgânico ou funcional do sistema nervoso central ou periférico.
            A DMD é uma doença genética de herança recessiva, ligada ao cromossomo X. Na mulher encontramos dois cromossomos X, um herdado do pai, e outro da mãe. No homem, existe um cromossomo X, herdado da mãe, e um cromossomo menor, o Y, herdado do pai. O gene da DMD está localizado no braço curto do cromossomo X, no locus Xp21. Como na mulher existem dois cromossomos X, se um deles tiver o gene defeituoso, o outro cromossomo X garantirá o bom funcionamento dos músculos. Assim sendo, a mulher pode ser portadora do gene da DMD, mas ela não tem a doença. Portanto, a DMD afeta apenas o sexo masculino porque nele só há um cromossomo X

            Sinais e Sintomas

            ­­­A DMD apresenta um início gradual dos sinais e sintomas, havendo na maioria dos tipos, um período pré-clínico. A fraqueza muscular é primeiramente percebida nos músculos da cintura pélvica, evoluindo progressivamente para a cintura escapular, afetando os grupos musculares de forma simétrica, porém desigual entre agonistas e antagonistas, levando a uma desarmonia de força entre grupos musculares antagônicos. O indivíduo para se adaptar a estas mudanças e manter a postura vertical, adquire mecanismos compensatórios. A postura ereta típica é hiperlordótica com abdome protuso e aumento da base de sustentação (ver fig. 1), a marcha é do tipo anserina, pendular ou "de balanço" e para levantar-se do chão escalam o próprio corpo. Este sinal é conhecido como "sinal de Gowers" ou levantar miopático (ver fig. 2).



            Figura 1- Notar a hiperlodose lombar, protusão do abdome, pseudo-hipertrofia das panturrilhas e aumento da base de sustentação





            Figura 2 – (A) Este paciente com DMD demonstra o clássico Sinal de Gowers. (B) Para levantar-se o menino fará uso das mãos escalando suas próprias pernas, (C) apoiado em si mesmo, empurra-se para alcançar a posição vertical.








            A incapacidade para a deambulação independente na DMD ocorre geralmente ao redor dos 10 anos. As contraturas e deformidades esqueléticas se intensificam após o confinamento à cadeira de rodas (ver fig. 3 e 4) e as causas mais freqüentes de óbito são as complicações respiratórias e cardíaca.





            Figura 3 - Portador de DMD . Apresenta escoliose grave e incapacidade para manter a postura sentada independente


            Figura 4 - Portador de DMD, apresentando grande deformidade equinovaro.


            Hidroterapia

            A hidroterapia é uma forma clássica de tratamento fisioterápico, utilizada em grandes variedades de disfunções. Neste tipo de atividade, as propriedades físicas da água aquecida promovem facilitação dos movimentos e alivio das dores, além de permitir o trabalho em grupo e tornar a terapia agradável, principalmente para crianças, as quais muitas vezes são impossibilitadas de realizar determinadas atividades em outro meio, senão o aquático.
            A hidroterapia realizada em piscina terapêutica é utilizada para manter a força muscular, a capacidade respiratória, as amplitudes articulares e evitar os encurtamentos musculares. Devido às propriedades físicas da água, a movimentação voluntária e adoção de diversas posturas podem ser facilitadas e os exercícios de alongamento muscular podem ser realizados com o alívio da dor.
            Tratamento na Hidroterapia

            - Alongamento dos músculos posteriores dos membros inferiores e superiores;
            - Fortalecimento dos membros superiores e inferiores;
            - Flutuação com auxílio de um macarrão entre as pernas, estimulando o equilíbrio;
            - Brincadeiras em ortostatismo, estimulando a criança a pegar objetos enquanto o terapeuta cria turbulência ao seu redor;
            - Oscilações de lado para o outro, com a criança segura pela parte proximal dos membros superiores;
            - Controle de tronco e equilíbrio realizados pela criança com movimentos ativos dos membros superiores unilateral, bilateralmente e alternadamente;
            - Controle de tronco e equilíbrio utilizando tapete flutuador;
            - Exercícios respiratórios com a criança sentada e na horizontal enquanto flutua;
            - Movimentos lentos proporcionando relaxamento e redução da dor, com o paciente flutuando com a ajuda do terapeuta.

            E para entendermos melhor como é este tratamento dentro da água vamos assistir um vídeo do teletom em portugal!


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