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domingo, 22 de abril de 2012

Síndrome de Arnold-Chiari







A: tronco cerebral; B: medula espinhal dentro do canal vertebral, C: cerebelo, D: porção do cerebelo que está dentro do canal vertebral, E:líquor (líquido céfalo-raquidiano)







Malformação de Arnold-Chiari tipo 1 (Chiari 1)
O Chiari tipo 1 é uma mal formação do crânio que acontece na altura da junção entre o pescoço e a cabeça. Ocorre quando uma parte do encéfalo chamada de cerebelo, entra no canal vertebral (Figura). Esta deformidade está relacionada a um problema na circulação do líquido céfalo-raquidiano (líquor). Este líquido envolve todo o sistema nervoso central, no crânio e no canal vertebral e, quando há um distúrbio da sua circulação, pode ocasionar uma série de sinais e sintomas. A síndrome pode aparecer também em pessoas que não apresentem qualquer deformidade, como resultado de outras doenças, no entanto, a forma mais comum é a congênita e acomete principalmente as mulheres. 
Os sintomas costumam aparecer na fase adulta entre a terceira e quarta décadas de vida e os mais comuns são: dor cervical, dor de cabeça intensa, fraqueza muscular, dormência ou alteração da sensibilidade nos membros e dificuldade de equilíbrio. Outros sintomas que podem surgir são: vertigem, distúrbios visuais, zumbidos, dificuldade para engolir, palpitação, apnéia do sono, diminuição das habilidades motoras finas e fadiga crônica. O exame neurológico realizado pelo especialista auxilia na determinação do diagnóstico, uma vez que pode identificar alteração dos reflexos, da coordenação, do equilíbrio, da marcha, dos nervos cranianos entre outras. A confirmação do diagnóstico é feita pela Ressonância Nuclear Magnética que mostra o defeito na junção entre o crânio e a região cervical. 
Essa doença exige o acompanhamento com neurocirurgião, para que o tratamento cirúrgico seja indicado no momento oportuno, quando aparecem evidências da deterioração neurológica, progressão dos sintomas que se tornam incapacitantes e piora das alterações na Ressonância Magnética. A cirurgia é feita através de uma incisão na parte de trás da cabeça e do pescoço sob anestesia geral e visa a descompressão das estruturas nervosas e o restabelecimento da circulação do líquor. Essa cirurgia geralmente apresenta ótimos resultados.
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domingo, 12 de fevereiro de 2012

O que há de novo em reabilitação neurológica?


Dos games aos robôs, cresce o leque de recursos que contribui para a superação de sequelas neurológicas

As técnicas de reabilitação têm um papel decisivo na reversão ou minimização de sequelas neurológicas como limitações motoras, distúrbios de fala, cognitivos e de memória, entre outros. Exercícios e atividades variadas estimulam a capacidade que o cérebro tem de se reorganizar frente às lesões neurológicas, ativando outras áreas e conexões entre neurônios para desempenhar uma determinada função. Ou seja, o cérebro estabelece outros caminhos para emitir os comandos que nos fazem andar, movimentar as mãos para pegar um objeto ou falar, por exemplo.
As sequelas neurológicas variam segundo o tipo da doença – entre elas AVC (acidente vascular cerebral, conhecido como derrame), tumor cerebral, traumatismo craniano e esclerose múltipla – e a área do cérebro que foi afetada. Até meados dos anos 1950, a crença era de que o cérebro adulto não podia se recuperar e, portanto, não se investia no desenvolvimento de terapias com esse objetivo. “Contudo os estudos e os novos conhecimentos adquiridos colocaram por terra esse mito, mostrando o que se chama de plasticidade cerebral, ou seja, a capacidade do cérebro de se reorganizar, mudando os padrões de conexão. Embora maior em crianças, essa capacidade existe também em adultos”, afirma a neurologista Adriana Conforto, livre docente da USP, médica do grupo de doenças cerebrovasculares e chefe do laboratório de neuroestimulação do Hospital das Clínicas, e pesquisadora do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).
A ciência ainda não sabe exatamente como se processam tais mudanças no cérebro. Mas sabe que treinar e estimular as funções afetadas faz toda a diferença. Nesse esforço, uma gama crescente de novos recursos vem se somando às tradicionais técnicas de reabilitação.
Uma das novidades é o exoesqueleto, um dispositivo que o paciente “veste”. Consiste de uma estrutura articulada, que integra motores de atuação e sensores de movimento com funções computadorizadas, e pode ser utilizado como auxiliar automático de marcha, principalmente em casos de paraplegia. Há dispositivos semelhantes que, montados sobre uma estrutura fixa, podem permitir o treino de marcha sobre uma esteira, possibilitando o reaprendizado de um padrão adequado de marcha por repetição. “Por enquanto, não há evidências de que esses dispositivos tragam resultados superiores aos exercícios de marcha feitos na terapia convencional, mas, sem dúvida, são recursos adjuvantes”, afirma a Dra. Sonia Akopian, fisiatra do Centro de Reabilitação do HIAE.
Com relação à reabilitação do andar, há outros recursos em uso, como um suporte que mantém o paciente suspenso pelo seu tronco sobre uma esteira ergométrica, permitindo que ele faça os movimentos espontaneamente para o treino de marcha, com a supervisão de um terapeuta.

A ajuda dos robôs

Os robôs representam outra importante frente de inovação. A partir de estudos do PhD Hermano Igo Krebs, pesquisador chefe em engenharia mecânica do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, a robótica aplicada à reabilitação começou a ser desenvolvida na instituição em 1989. O dispositivo robótico é acoplado ao membro afetado. Ao contrário dos exoesqueletos, os primeiros robôs, desenvolvidos para terapia em membros superiores, dão um “aperto de mão” ao paciente.  O robô não move a articulação continuamente; ao contrário, estimula o paciente a fazer tudo aquilo de que é capaz. Hoje, o recurso é indicado em reabilitação nos casos de AVC e para crianças com paralisia cerebral. Há robôs para exercitar ombros, cotovelos, mãos, pulso e, mais recentemente, tornozelos. “A robótica aplicada à reabilitação é uma ferramenta nova para ajudar o terapeuta a ser mais eficiente e contribuir para o paciente melhorar mais rapidamente”, afirma Krebs.
Por enquanto, segundo ele, os resultados são melhores para os membros superiores. “A terapia com robôs ajuda sempre, mas ajuda mais quando comparada com a terapia convencional para os membros superiores e ajuda menos para os membros inferiores” diz. Até o momento, a técnica recebeu endosso da American Heart Association e do Veterans Affairs apenas para membro superior. O motivo, de acordo com o pesquisador, é que os estudos com membros inferiores ainda são incipientes. “Estamos trabalhando com o objetivo de mostrar que, se feita corretamente, também pode ser positiva para membros inferiores”, informa. Como outros recursos, a proposta dos exercícios com robô é estimular neurônios de outras áreas a realizarem a função que cabia às células afetadas pela lesão neurológica.

O estímulo que vem dos games

A terapia com robôs ajuda sempre, mas ajuda mais quando comparada com a terapia convencional para os membros superiores e ajuda menos para os membros inferiores
Segundo a Dra. Sonia, também ganham espaço as pesquisas envolvendo o uso de videogames, que proporcionam interatividade por meio de dispositivos sensíveis aos movimentos corporais do jogador.  Os jogos podem simular atividades esportivas - tênis, por exemplo –, e o paciente é estimulado a executar os movimentos apropriados. É uma proposta de exercício semelhante a outra inovação: os dispositivos de realidade virtual. Nestes, o paciente coloca um par de óculos especial que simula imagens de objetos que ele deve tentar pegar com a mão debilitada, que utiliza uma luva especial, capaz de sentir os movimentos e posições da mão, interagindo com a imagem nos óculos. Além do exercício que vai estimular o cérebro a ativar conexões para realizar os movimentos, esse tipo de terapia agrega ainda o aspecto lúdico, tornando-a mais atraente e prazerosa para o indivíduo.
Vários softwares desse tipo têm sido desenvolvidos para utilização em terapias de reabilitação de linguagem e até de funções como memória, atenção e raciocínio lógico. Principalmente no caso de crianças e adolescentes, o aspecto motivacional desses games facilita o aproveitamento das sessões.

Estimulação magnética transcraniana

Para pessoas que sofreram derrame (AVC) e tiveram braço ou mão afetados, está em estudo o uso da estimulação magnética transcraniana. Ela é feita com um aparelho especial (uma espécie de bobina apoiada na cabeça do paciente), que gera pulsos que penetram a cerca de dois centímetros em uma pequena área do cérebro. O aparelho pode emitir um pulso único (recurso usado apenas para verificar funcionamento dos neurônios) ou pulsos repetitivos a intervalos regulares (Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva - EMTr). A EMTr pode promover mudanças transitórias no cérebro, ativando neurônios de áreas próximas à da lesão ou inibindo a ação em áreas não afetadas.
De acordo com a Dra.Adriana Conforto, estudos em laboratório sugerem que a estimulação pode melhorar o desempenho da mão ou braço debilitado, mas não há resultados conclusivos sobre seus efeitos ou sua duração. Entre as pesquisas com a técnica, há um trabalho realizado no Egito, com 52 pacientes vítimas de AVC. Eles foram divididos em dois grupos e, ao final de dez dias, o que recebeu a estimulação magnética teve resultados melhores do que o que recebeu placebo.
A Dra. Adriana destaca a importância dos estudos visando ao desenvolvimento de novas técnicas voltadas a pacientes que tiveram AVC.  A doença é a principal responsável por mortes no Brasil e, entre os que sobrevivem (de 50 a 75% do total), pelo menos um terço fica dependente de familiares ou cuidadores para executar funções cotidianas. Em torno de 85% apresentam fraqueza no braço e na mão, sendo que os melhores resultados com os tratamentos e técnicas de reabilitação são obtidos nos primeiros meses.
Também muito importantes são as dificuldades de comunicação, que acometem até um terço dos pacientes. “A expectativa de vida cada vez maior da população torna fundamental a evolução de alternativas nessa área, já que os idosos são os principais atingidos pela doença”, diz a neurologista.  Segundo ela, no primeiro ano após o AVC, fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional são as técnicas mais aplicadas. As possibilidades de reversão das sequelas, porém, vão diminuindo com o passar do tempo. “Pesquisas como a da estimulação magnética transcraniana voltadas a esses pacientes são relevantes para que se possa oferecer outras possibilidades aos pacientes, especialmente após a fase aguda ou para aqueles com maior comprometimento das funções, sempre em conjunto com outras técnicas”, destaca ela. 
Em todo o mundo, o uso da técnica de estimulação magnética transcraniana em pacientes vítimas de AVC ainda está em fase de estudos. Mas em alguns países, como Estados Unidos e Canadá, ela já é adotada no tratamento de indivíduos com depressão.
Nenhuma das novas técnicas – seja as já disponíveis ou aquelas em fase de pesquisa – representa uma fórmula mágica. Mas, associadas aos recursos convencionais de reabilitação, e combinadas segundo o caso de cada paciente, elas reforçam os trunfos para estimular o cérebro. Este, sim, pode fazer a magia de encontrar caminhos alternativos para superar as sequelas de lesões neurológicas.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vídeo de reabilitação- Distrofia Muscular Progressiva do tipo Becker


Hoje vamos ver os vídeos de reabilitação do Yudiro Bitencourt 28 anos, um portador de Distrofia Muscular Progressiva do tipo Becker há 8 anos.
Espero que gostem!


Parte 1



Parte 2


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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Estudo britânico descobre forma de "reparo" da esclerose múltipla

Cientistas britânicos identificaram uma forma de estimular o sistema nervoso a regenerar-se nos casos de esclerose múltipla.
 Os estudos, publicados na revista "Nature Neuroscience", foram realizados em ratos nas Universidades de Cambridge e Edimburgo, na Escócia. A pesquisa identificou uma forma de ajudar as células-tronco no cérebro a reparar a camada de mielina, necessária para proteger as fibras nervosas.
 A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que destrói a mielina, uma camada que isola as fibras do sistema nervoso central, causando sintomas como visão embaçada, perda de equilíbrio e paralisia.
Em cerca de 85% dos casos, os pacientes têm uma forma de esclerose múltipla chamada de recaída/remissão, na qual as "crises" que incapacitam a pessoa são seguidas de uma recuperação de um nível da função física perdida. Nesta forma da doença, parece haver um reparo natural da mielina.
Mas cerca de 10% das pessoas são diagnosticadas com a forma progressiva da esclerose múltipla, na qual o declínio avança sem qualquer período de recuperação.
Além destas pessoas, os pacientes com a forma recaída/remissão da doença também podem desenvolver a chamada esclerose múltipla progressiva secundária, que afeta o paciente da mesma forma que a progressiva.
Os cientistas têm tentado desenvolver tratamentos justamente para estes dois grupos.

REGENERAÇÃO
Nos casos de esclerose múltipla a perda da camada de mielina, que funciona como uma camada de isolamento, leva ao dano nas fibras nervosas do cérebro.
Estas fibras são importantes por enviarem mensagens para outras partes do corpo.
A pesquisa britânica identificou uma forma de estimular as células-tronco do cérebro para que elas regenerem estas fibras. E também mostraram como este mecanismo pode ser explorado para fazer com que as células-tronco do cérebro melhorem sua capacidade de regeneração da mielina.
Com isso, os cientistas esperam poder ajudar a identificar novos medicamentos que estimulem o reparo da mielina nos pacientes que sofrem com a doença.
"Esta descoberta é muito animadora, pois pode abrir o caminho para elaborar medicamentos que vão ajudar a reparar o dano causado a camadas importantes que protegem as células nervosas no cérebro", afirmou o professor Charles ffrench-Constant, da Sociedade para Pesquisa em Esclerose Múltipla da Universidade de Edimburgo.
"Terapias que reparam o dano (causado pela doença) são o elo perdido no tratamento da esclerose múltipla", afirmou o professor Robin Franklin, diretor do Centro para Reparo de Mielina na Universidade de Cambridge.
"Neste estudo identificamos um modo pelo qual as células-tronco do cérebro podem ser estimuladas a fazer este reparo, abrindo a possibilidade de um novo medicamento renegerativo para esta doença devastadora", acrescentou.

ANOS
Instituições de caridade britânicas, voltadas para tratamento de esclerose múltipla, afirmaram que, apesar de ser uma notícia animadora, ainda serão necessários alguns anos antes de um tratamento ser desenvolvido.
"Este é o começo de um estudo, em roedores, mas será muito interessante observar como se desenvolve", afimou Pam Macfarlane, diretora-executiva da instituição de caridade voltada para pacientes com esclerose múltipla MS Trust.
A pesquisa britânica foi financiada por instituições americanas, a MS Society e National MS Society.
"Para pessoas com esclerose múltipla esta é uma das notícias mais animadoras dos últimos anos", afirmou Simon Gillespie, diretor-executivo da MS Society.
"É difícil colocar em palavras como esta descoberta é revolucionária e como é importante continuar com as pesquisas em esclerose múltipla." 
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desenvolvimento Motor Anormal



        É qualquer interferência dentro do processo de desenvolvimento motor normal.
        Uma criança com atraso no desenvolvimento motor terá como conseqüência algum déficit neurológico.
        A pediatria trabalha com a facilitação do aprendizado motor, ou seja, o fisioterapeuta começa a dar suporte para que a criança possa aprender o movimento.  O fisioterapeuta funciona como uma extensão do SNC da criança, pois trabalha com pontos chaves para que ela consiga adquirir o movimento. Já com o adulto se trabalha com o reaprendizado, ou seja, com a memória.
        Quanto mais nova for a criança, mais difícil de se identificar que ela tem atraso motor, e mais difícil ainda é saber o que esta faltando para essa criança.

Provas de Atividades Reflexas e Avaliação Funcional

        A criança difere do adulto porque ela ainda não tem adquirido algumas habilidades motoras, simplesmente porque a criança não tem a maturação do SNC.
        A criança nasce sem a integração dos sistemas; os engramas ainda estão se formando, e com a maturação do SNC (a partir do momento em que os sistemas vão aumentando) é que ela vai adquirindo novas habilidades motoras.
        Muitas vezes a criança nasce com algumas atitudes típicas de organismos mais primitivos como a medula e o mesencéfalo. A partir do seu desenvolvimento os sistemas vão se integrando e esses sistemas mais baixos vão ficando, de uma certa forma, mais deprimidos. Surgem sistemas mais superiores, mais desenvolvidos que, obviamente interagem com os sistemas medular e mesencefálico.
            Com o SNC maturado, desenvolvido, quem começa a prevalecer sobre os outros sistemas é o córtex, mas interagindo ao mesmo tempo.

            Teoria dos Sistemas:
            Os sistemas interagem o tempo inteiro, cada um tem a sua função, a sua informação e a sua importância.
            O que estabelece a maturação é a integração de todos os sistemas com o córtex e vice-versa.

            Ao nascer, a criança vai apresentar alguns reflexos típicos de um recém-nascido; e a partir de uma faixa etária deixa de ser reflexo, o que a criança apresenta é muito mais uma reação.
            Chama-se reflexo quando é uma atitude involuntária primitiva, ou seja, quando parte de um sistema mais inferior ao córtex (medular, mesencefálico).
            Chamam-se reações quando são ditadas de estruturas mais superiores (córtex).
Obs: Ao nascer a criança não tem nenhuma reação ainda, pois as reações são caracterizadas pela maturação do sistema nervoso.

ü  Reflexos:
Ao nível de Tronco Encefálico:

§  Reflexo de Liberação de Vias Aéreas:
Quando colocado em DV, o recém-nascido é capaz de realizar uma lateralização da cabeça para um dos lados (mesmo sem conseguir retificar o pescoço) para liberar as vias aéreas.
Obs: Em nível de ponte, bulbo.
â  Ocorre no 1o mês, pois depois a criança já vai adquirir força, ou seja, vai lateralizar a cabeça usando força.

§  Reflexo de Fuga:
Ao fazer um estímulo na planta do pé da criança em DD, ela puxa a perna (tríplice retirada) numa tentativa de fugir desse estímulo mais doloroso.
â  Ocorre no 1o mês.
Obs: Este reflexo é ao nível de MEDULA.

§  Reações de Posicionamento:
A criança permanece na postura que é colocada.
â  Ocorre no 1o mês.

§  Reflexo de sucção:
Ao encostar o bico do peito na criança ela suga.
â  Ocorre a partir do 6o mês intrauterino.
â  Quando a criança chega ao 22o dia de vida e ainda não faz sucção, é indício de que é uma criança patológica grave e que ela não será mais capaz de faze-lo.

§  Reflexo de Morder:
Esse reflexo é o esboço do reflexo de sucção, é um abrir e fechar da boca.
â  Ocorre até ± a 3a semana.

§  Reflexo dos Pontos Cardiais (teste de procura):
Ao tocar nos pontos da boca da criança ela procura.

§  Reflexo de Gallant:
Colocando a criança em DV e estimulando a musculatura paravertebral de um dos lados, ela se curvará para o mesmo lado do estímulo.
â  Observado até ± 2o mês.
§  Reflexo de Marcha automática:
Quando colocado em pé numa mesa, com anteriorização de tronco, a criança é capaz de desencadear a marcha automática (flexão de uma perna e extensão da outra).
â  ± 2o mês.

§  Reflexo de Vômito:
Ao introduzir o V dedo um pouco mais dentro da boca da criança, ela reage com vômito (reflexo de defesa para que ela não engasgue).
â  Ocorre ± no 3o/4o mês.
â  ± no 6o mês começa a introdução de papinha para a criança, e com isso, ela perde esse reflexo (perde essa sensibilidade nos primeiros 1/3 da língua para o vômito)
â  ± no 7o/8o mês esse reflexo é visto durante o sono (na parte mais interna da língua).

§  Reflexo de Positiva de Suporte:
Quando a criança é colocada com os pés apoiados num suporte, visualiza-se uma co-contração dos MMII como uma resposta tátil proprioceptiva do próprio contato, dando uma aparência de pilar.
Obs: A resposta tátil proprioceptiva desencadeia uma isometria.
              Esse reflexo é inibido quando a criança começa a ser capaz de apoiar em calcanhar (5o /6o mês).

§  Reflexo de Negativa de Suporte:
Ao tirar os pés da criança de um suporte, ela faz flexão.

§  Reflexo de Preensão Palmar:
Ao colocar a sua mão na mão da criança, ela reage com preensão.
â  Esse reflexo é perdido quando a flexão fisiológica já diminuiu e a criança consegue descarregar peso na postura de PUPPY, ± no 6o mês.
â  É um reflexo tátil proprioceptivo. (extremamente primitivo). Quando ocorre o amadurecimento do SNC e a criança começa a conseguir vencer a gravidade e sustentar peso sobre o braço ela começa a soltar os objetos (em torno do 6o mês).
Obs: Começa no recém-nascido, mas não é um reflexo típico de recém-nascido (bulbo, ponte). No 6o mês já é mesencefálico.

§  Reflexo de Preensão Plantar:
Ao colocar o dedo em baixo dos dedos da criança, ela reage com preensão.
â  Esse reflexo é perdido ± no 5o/6o mês (apoio total de calcanhar)
â  É um reflexo tátil proprioceptivo.

§  Reflexo Cutâneo Plantar:
Ao fazer um estímulo na lateral da planta do pé da criança, até 1 ano ela responde com abdução e extensão de hálux. Com 2 anos ela responde com flexão de hálux.

§  Postura de Opstótomo:
Obs: Nos casos mais graves, a extensão é tão grande que a criança chega a formar um arco.
Apoio em um dos calcanhares e occipital, pernas em tesoura (cruzada), flexão de punho e cúbito, rotação interna de úmero e boca aberta.
            Algumas crianças fazem aumento de tônus em tesoura também em MMSS, ou seja, flexão de punho, extensão de cúbito, rotação interna de úmero e braços cruzados.
Obs: A criança engasga, pois não consegue engolir saliva.

§  RTL – Reflexo Tônico Labiríntico:
É desencadeado pelo posicionamento da cabeça (labirinto) no espaço.
Obs: Característica marcante do recém-nascido até ± o 2o mês, onde predomina o plano sagital.
Ao posicionar a criança na postura genopeitoral (quase DL) com a cabeça mais em extensão, ocorre um ligeiro aumento do tônus para extensão de todo o corpo da criança.
Ao posicionar a criança na postura genopeitoral (quase DL) com a cabeça mais em flexão, ocorre um ligeiro aumento do tônus para flexão de todo o corpo da criança.
â  Até ± 2o mês.
Obs: O posicionamento do labirinto no espaço dita o aumento ou não do tônus. Posicionar o labirinto no espaço é de extrema importância para controlar um tônus patológico (criança ou adulto).
  Numa criança com espasticidade, se você jogar o labirinto para trás, ela vai entrar numa espasticidade incontrolável.
         O kique na bola “aumenta” ou normaliza o tônus mantendo uma maior retificação do tronco pelo labirinto.
               Qualquer reflexo labiríntico é desencadeado pela musculatura nucal, ou seja, pelo posicionamento da cabeça no espaço. Eles vão mudar a distribuição tonal de todo o corpo da criança, pois o labirinto é um órgão totalmente ligado a distribuição de tônus muscular.
               NUNCA se deve estimular reflexo numa criança patológica.

§  RTCA – Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (reflexo do esgrimista):
Ao rodar (lateralizar) a cabeça da criança para um dos lados, observa-se uma maior extensão do MS e MI do lado do olhar e para o lado occipital, uma flexão do MS e MI.
â  Observado desde o recém-nascido até ± 4 a 6 meses.
Obs: Numa criança normal o RTCA vai diminuindo gradativamente, e mesmo no recém-nascido, dificilmente esta criança permanece no RTCA por muito tempo.
               O RTCA é a primeira noção que a criança tem dos lados direito e esquerdo, noção de transferência de peso.
            Estímulo ao RTCA ® Estimular a criança pelo olhar
            RTCA patológico ® Quando ocorre de forma abrupta ou permanece depois do 6o mês.
Obs: O recém-nascido e a criança patológica que entram em RTCA, também fazem uma curvatura na coluna (forma um C), uma flexão lateral do tronco.

§  RTCS – Reflexo Tônico Cervical Simétrico:
Quando se tem uma extensão da cabeça é desencadeado aumento do tônus extensor dos MMSS e aumento do tônus flexor dos MMII (gato olhando a lua)
Quando se tem ema flexão da cabeça é desencadeado aumento do tônus flexor dos MMSS e aumento do tônus extensor dos MMII (gato bebendo água).
â  Observado até 4 a 6 meses (extremamente sutil).
Obs: Padrão total ® Criança patológica grave
              As crianças mal trabalhadas usam esse padrão para se locomover (padrão coelho – usa a flexão e extensão da cabeça para se locomover, algumas crianças chegam a saltar).

§  Reações Associadas:
As reações associadas são observadas em crianças hemiplégicas (não é o movimento normal), que ao tentar realizar um movimento do lado são, aumentam o tônus do lado hemiplégico.
Obs: Reação associada é quando ocorre aumento de tônus, ou seja, é um movimento anormal, como se o lado lesado tentasse auxiliar o movimento. Ocorre principalmente quando a criança tenta realizar um grau de força que represente uma maior dificuldade para ela.


Ao nível Mesencefálico:

§  Reação Cervical de Retificação:
Quando a cabeça da criança é rodada para um dos lados (ativo ou passivo), segue-se a rotação com o corpo como um todo em direção ao lado onde a criança foi virada.
É a criança virar em bloco, também desencadeado pelos músculos cervicais.
â  Observado do nascimento até no máximo 6 meses.

§  Reação Corporal Agindo sobre o Corpo:
Ela modifica a reação cervical de retificação, introduzindo uma rotação no tronco entre os ombros e o quadril. A criança pode iniciar o virar pelo ombro, o corpo agora dissocia, o quadril segue mais tarde ou ao inverso.
            É o rolar dissociado.
â  Observado do 6o ao 8o mês (experimento do plano rotacional).

§  Reação Labiríntica de Retificação:
Ela serve para manter a cabeça em posição normal no espaço. É fraca no recém-nascido e realmente presente no 4o ao 6o mês.
â  Começa do 4o ao 6o mês.
Obs: Persiste por toda a vida.
  Quando se esta de pé e transfere-se peso para um dos lados, a cabeça lateraliza, o tempo inteiro o labirinto tenta manter a retificação.
  Quando você sai do seu eixo de gravidade, o corpo tenta retificar, e isso sempre começa pela cabeça.
  A criança que não sustenta a cabeça nunca vai conseguir uma marcha biomecanicamente correta, não vai conseguir os outros movimentos normais, e também não vai normalizar tônus. O controle de cabeça é o primeiro passo que tem que ganhar, principalmente em crianças até 1 ano.

§  Reação de Retificação Corporal Agindo sobre a Cabeça:
Estimulando-se simetricamente a superfície do corpo e colocando em contato com uma superfície de apoio, a cabeça também se apoia nessa superfície.
Obs: Paciente parkinsoniano ao deitar não apóia a cabeça (encaixa o queixo).

§  Reação de Anfíbio:
Quando a criança é colocada em prono (DV) e levantamos um lado da pelve, o MI e MS do lado do estímulo se fletem.
â  Observado do 4o ao 6o mês.
Obs: Estímulo ao arrastar.

§  Reações de Movimentos Automáticos:

-        Reação de Moro:
Obs: É uma das maneiras da criança experimentar a extensão total do corpo.
            Pode ser desencadeado por movimentos bruscos, sons, luz.
Ex: Apoiar a cabeça da criança, elevar o corpo e soltar (movimento brusco), bater palma na frente da criança.
            Com a queda, a criança desencadeia uma extensão e abdução de caráter global dos 4 membros, seguida de uma flexão e adução.
â  Observa-se extensão total até 4 meses, mas pode ter resquícios até 1 ano.
Obs: A ausência do Moro é sinal de lesão.

-        Reação de Landau:
Colocando a criança em suspensão ventral, ela responde com um movimento de extensão da cabeça e quadril.
â  Inicia-se por volta do 5o ao 6o mês e mais pronunciado do 7o ao 12o mês.
Obs: Do 7o ao 12o mês é comum observar extensão também dos MMII.
              É uma reação que começa a ser desencadeada pela cabeça; uma criança sem controle de cabeça e com pouca força de tronco não consegue fazer isso.

-        Extensão Protetora dos Braços ou Reação de Para-Quedas:
Colocar a criança em DV na bola e levar para frente, para os lados e para trás ou segurando a criança pela cintura, no ar, levar de encontro ao chão.
â  Normal de 5o ao 6o mês para frente, 8o mês para os lados e 10o mês para trás.
Obs: A reação protetora para o lado esta totalmente ligada a melhora da reação de retificação.

Ao nível Cortical:

-        Reações de Equilíbrio:
Ao colocar uma criança de 6 meses em DV numa prancha, já se consegue identificar a reação de equilíbrio. A criança realiza uma contração lateral, e mantém essa contração quando se desloca ou lateraliza a prancha.
Obs: Em DD a criança rola, ou seja, ainda não consegue manter o equilíbrio ao deslocar a prancha.
            Com  8 meses  a criança consegue responder ao equilíbrio quando colada em DD.
            Com  12 meses  a criança consegue responder ao equilíbrio quando colada na postura sentada.
            Com  18 meses  a criança consegue responder ao equilíbrio quando colada de pé.


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